Desde criança, sou perfeccionista ao quadrado, sobretudo com o texto. As pessoas dizem que isso é positivo, mas tenho minhas dúvidas. Explico: sempre que posso, volto em trabalhos já finalizados a fim de procurar falhas ou algo que possa ser melhorado. Mas o texto já não está pronto, pra que arrumar idéia? Pois é. Como quem procura pêlo em ovo, releio o texto, só pra garantir. Não consigo evitar. Nem scraps de orkut escapam. Não duvido que, caso procure um terapeuta, ele me diga que se trata de um TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. Será mal de revisor?
Há um mês, participei de um concurso literário da comunidade oficial do programa Aprendiz, que daria a dez membros convites para assistir ao episódio final da atração diretamente do teatro da Record, em São Paulo. A proposta era simples: escrever um texto de no máximo 15 linhas defendendo meu finalista preferido, explicando por que ele deveria ser o novo sócio do Roberto Justus. Eu, fã do programa, não tinha um participante preferido… Mas essa era a menor das preocupações, logo percebi que escolher um finalista para defender era a parte mais fácil. Depois tinha o texto. Ah, o texto…
Escolhi um participante, bolei um texto argumentativo e, contando cada palavra digitada no Word, escrevi exatas 15 linhas. Postei na comunidade. Minutos depois, começou o comichão. Voltei ao texto, reli e não titubeei: apaguei a postagem. Reescrevi. Postei novamente… Esse ritual se repetiu umas quatro ou cinco vezes durante aquele dia. No final das contas, faltando poucos minutos para as oito da noite – horário em que o tópico seria encerrado –, voltei ao texto pela última vez. Achei tudo uma porcaria, apaguei novamente e, como não tinha mais tempo, resolvi postar a primeira versão. E achando o texto uma droga.
Para minha sorte, quem selecionou as melhores defesas não pensou o mesmo que eu. Assim, acabei indo feliz da vida a São Paulo assistir ao programa, ao vivo. Fui e voltei na mesma noite, uma loucura! Mas valeu cada minuto.
Bom, mas voltando ao TOC: será normal essa constante sensação de insatisfação com a própria performance? Sempre fico com a sensação de que poderia ter feito melhor, e isso me incomoda bastante. Há quem diga que esse comportamento tem relação com a insegurança, com o receio de errar. Pode até ser. Odeio errar. Mas quem não odeia?

julho 29, 2008 às 3:56 am |
Mal de revisor? Prefiro acreditar que é bem de revisor (pelo menos assim posso ficar mais um tempo sem procurar um terapeuta).
Parabéns por ganhar o concurso e realizar seu sonho. Você vai mostrar para nós o seu texto?
Beijo,
Pablo
http://cadeorevisor.wordpress.com
junho 8, 2009 às 5:29 pm |
:) Adorei ler teu desabafo. Pensei ser a única que agia assim, talvez em menores proporções, leio, releio e depois de enviar, ou finalizar, sempre acho que poderia ter ficado melhor.
E tem as regras, quero aplicá-las todas, em qualquer situação.
E quanto mais aprendo, mais penso que tem tanta coisa que não sei.
Enfim…
Na profissão certa!
Beijos
Cláudia Yoshida
Revisora de textos
claudiay@terra.com.br